O 13º melhor curso do mundo: por que a formação em Odontologia do Brasil se destaca?
Em seguida, aparecem a Universidade Estadual Paulista (Unesp), com o 36º lugar, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com o 50º. Apesar da boa colocação, as instituições registraram queda no levantamento em relação à edição anterior, que estavam no 31º e 48º lugar, respectivamente.
Destaque da USP
Com o melhor desempenho no ranking, a USP possui três Faculdades de Odontologia, sendo a mais antiga na cidade de São Paulo, a FOUSP. As outras duas são a FOB, em Bauru, e a FORP, em Ribeirão Preto.
Faculdade de Odontologia da USP
Segundo a diretora da Faculdade de Odontologia de Bauru, a professora Marília Buzalaf, a posição de destaque no levantamento internacional representa o trabalho desenvolvido pelas três instituições ao longo de tantas décadas de ensino no País.
“É resultado de muito trabalho e muito esforço de toda a nossa comunidade. A odontologia, como um todo no Brasil, é bastante forte e pujante. Nós tivemos várias universidades brasileiras entre as melhores do mundo. Nós temos um grande número de publicações reconhecendo o Brasil. Nós observamos que, por exemplo, quando nós chegamos a um congresso no exterior, o Brasil é bastante conhecido e respeitado”, reitera.
A diretora ainda pontua que o País é uma referência e expoente para profissionais no que diz respeito às técnicas e procedimentos brasileiros. “Nós exportamos técnicas, tecnologias, e isso tem um grande peso na nossa avaliação”, aponta.
Investimento em formação e pesquisa
Para o o professor Giuseppe Romito, vice-diretor da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOUSP), um dos grandes diferenciais da graduação é a formação multidisciplinar dos estudantes e o forte investimento na pesquisa. Na USP, em particular, os alunos têm acesso a diversas atividades de extensão, como a participação em ligas acadêmicas e iniciação científica.
“Isso já vem relacionado ao investimento que a área de odontologia tem feito há muitos anos, justamente de parcerias internacionais, principalmente relacionadas à pesquisa. Isso vai se tornando uma rede, e isso vai elevando cada vez mais a reputação. Sem dúvida nenhuma, a pesquisa é um fator que impacta muito”, afirma.
Além disso, o vice-diretor destaca que esse foco acadêmico reflete em diversos aspectos na instituição, entre eles o melhor ensino tanto na graduação quanto na pós-graduação e desenvolvimento do próprio docente.
“Quando você tem um ambiente que é calcado em pesquisa, e vem outras ações como iniciação científica, desenvolvimento de projetos, em última análise, explorando um pouco mais, não é nem só da pesquisa, é da produção de conhecimento”, acrescenta.
Realização
Prestes a iniciar o quinto semestre do curso, a estudante Marina Timbó Colmanette, de 19 anos, conta que a entrada na graduação de odontologia foi a realização de um sonho da adolescência. Integrante de uma família de cirurgiões-dentistas, a jovem se identificou com a área de saúde antes mesmo de escolher qual profissão gostaria de seguir.
“Antes do vestibular, já sabia que gostaria de fazer um curso na área de saúde, e a odontologia era um sonho. Fazer o curso na USP é maravilhoso, principalmente pela estrutura e professores renomados. Ainda faço estágio na assistência de comunicação e integro o time de handebol”, revela.
Além das atividades oferecidas pela instituição, a estudante destaca a importância do aprendizado teórico juntamente ao rigor levado para as disciplinas práticas, além da relação direta com o atendimento de pacientes ao longo da graduação. Segundo ela, a parte teórica é tão importante quanto a prática, o que diferencia o curso brasileiro do ensino de outros países.
Para o cirurgião-dentista Arthur Lima, que hoje faz doutorado na Universidade Federal da Bahia (Ufba), a prática desde o início da graduação contribui para a posição de destaque em rankings mundiais. Além disso, a estruturação dos módulos de ensino e disciplinas mais especializadas fazem a diferença na formação.
O cofundador da AfroSaúde –healthtech que desenvolve soluções com objetivos sociais e organizacionais voltada para a população negra–, compara a graduação brasileira ao que é oferecido em alguns países da Europa. Por lá, a odontologia é uma especialização que pode ser feita após a formação em medicina.
“Ou seja, a pessoa se forma em medicina e faz uma especialização para se tornar médico dentista. Aqui, no Brasil, a profissão é independente da medicina, e é um curso de 5 anos. Isso influencia muito na base curricular entre uma graduação completa e uma especialização”, observa.
Cenário brasileiro
O reconhecimento da odontologia também reflete na dimensão da categoria no Brasil. Atualmente, o País possui mais de 400 mil cirurgiões-dentistas com cadastro ativo no Conselho Federal de Odontologia (CFO).
Segundo o conselheiro federal Evaristo Volpato, que atua como diretor tesoureiro na instituição, a tendência é que o contingente de profissionais continue aumentando, considerando a oferta de cursos de graduação. Contudo, mesmo com o reconhecimento e cenário promissor, ele alerta que o atual cenário levanta reflexões pertinentes que perpassam por aspectos institucionais e até sociais.
“Se por um lado temos realmente uma odontologia de ponta, cabe duas reflexões: ‘Será que a população está sendo beneficiada na mesma proporção?’ e ‘Será que todos os cirurgiões-dentistas estão sendo formados com esse nível de qualidade?'”, provoca.
Quanto à qualidade da formação, Volpato explica que o tema é uma das preocupações do CFO. Para entender a situação no País, o conselho trabalha na aplicação de um estudo de proficiência nas capitais do Brasil.
“Faz parte da nossa proposta realizar um exame em nível nacional para avaliar como estão os conhecimentos e como está a formação dos profissionais que estão entrando no mercado da odontologia”, diz.
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